Sex, 11 de Novembro de 2011 15:09

Role and Play :: Conto :: Capítulo 2 - O Convite

Escrito por  Chacal Negro
Dar nota para esse item
(1 Votar)

Divirta-se com o segundo capítulo dos Contos do Chacal Negro e acompanhe conosco o desenrolar desta misteriosa trama.

A pobre moça parecia ter perdido todo o sangue do rosto ao ouvir o nome do digno senhor. Uma tormenta de pensamentos toma sua mente de assalto e seu rosto como um livro aberto expõem suas apreensões.

Albert lê este livro e se antecipa a qualquer reação precipitada da moça, dizendo:
 
- Ouça, não precisa se preocupar, estou aqui na melhor das intenções, por enquanto, está entendendo?
 
A moça rapidamente responde:
 
- Cla... claro, levarei seu recado imediatamente. –  girando nos calcanhares, resolve cumprir sua própria promessa, sendo interrompido pelo aperto do punho de Albert em seu braço, firme, porém delicado, trazendo a atenção de volta a ele.
 
Albert fala como quem fala a uma criança.
 
- Não preciso dizer que você tem de ser cautelosa ao falar quem sou para a senhorita Alehoff. Não deixe que mais ninguém saiba que eu estou aqui, ou eu posso ficar bastante desapontado com você.
 
A moça retesa todos os músculos do corpo sem deixar de encarar o famigerado conde, espera alguns segundos e percebe que ele não irá solta-la até ter uma confirmação do entendimento, de todas as palavras, especialmente das últimas.
 
Percebendo isso, relaxa gradualmente o corpo, esboçando um sorriso e faz um meneio com a cabeça de confirmação.
 
Albert a libera suavemente do aperto de seu punho e com isso ela gira e sai delicadamente em direção a uma das laterais do ringue.
 
Ao entrar em um corredor, longe da visão do conde, a jovem agarra a barra da saia deixando a mostra suas pernas até a altura dos joelhos e inicia uma corrida em direção à porta do vestiário onde a senhorita Sheena estaria depois da luta.
 
A corrida fora suficiente para alcancar rapidamente o vestiário, soltando a barra da saia num movimento apressado, e desacelera até sua corrida virar um caminhar apressado e para de vez em frente a uma porta verde. Normalmente ela já abriria a porta pelo espirito da urgência, mas prefere manter sua integridade física ao invés de abrir a porta de uma vez e ofender a senhorita, assim sendo ela bate a porta, três vezes e fala:
 
- Senhorita Sheena, posso entrar? Tenho um recado urgente!
 
Uma voz feminina levemente rouca responde com rispidez:
 
- Não me venha dizer que o filho do Lorde Almor veio aqui outra vez? Porque se for...
 
- Senhorita Sheena, por favor, me permita entrar, o assunto que tenho a tratar é urgente e sigiloso.
 
Em resposta, a porta verde se abre revelando Sheena, de calça caqui, suspensórios vermelhos pendurados à cintura, as pernas da mesma estavam dentro de suas botas de couro curtido e bico de metal arrebitado, cadarços ainda frouxos, seu torso seminu, com apenas uma faixa de linho cobrindo suas mamas. Seus ombros, rosto e cabelos vermelhos ainda molhados, mas o que lhe chamou mais atenção foi sua face, que além de seu olho esquerdo completamente inchado como um rabanete, ainda existe cortes em suas macãs, supercílios e lábio inferior.
 
Ao perceber que a menina estava admirada olhando seus machucados, Sheena disse:
 
- Não se preocupe isso não é nada, já tive piores. Mas me conta, o que você tem de tão importante para me contar? – deu as costas e continuou falando enquanto se dirigia as suas coisas, que estavam sobre uma maca. Uma blusa branca suja de sangue, um saco de viajem, uma maleta aberta e bagunçada, com um tufo de algodão e o frasco de álcool que revelou a sua utilidade – Feche a porta e me traga o espelho que está encostado naquela cadeira.
 
A jovem ao entrar no vestiário viu que Sheena estava com o lampião ao lado dela na maca, deixando restante do cômodo em volto em sombras dançantes, o que a deixou tensa, aumentando sua urgência em pegar o espelho e ir para o lado de Sheena. Assim ela o fez e ao colocar o espelho a frente de Sheena, perguntou:
 
- Assim está bom?
 
- Está ótimo. Vamos, me conte.
 
A jovem limpou a garganta, tentando passar tranquilidade,  receosa da reação de Sheena:
 
- O Conde Pirata Vane está aqui e pediu para ter a senhorita em sua mesa.
 
Enquanto a jovem falava, Sheena perdia completamente controle de suas ações e ficou estática. Quando a jovem terminou, ela permaneceu alguns segundos fitando a própria imagem no espelho boquiaberta.
 
- A senhorita se meteu em alguma encrenca? Posso ajuda-la a fugir, se assim desejar!  - adiantando-se,em genuína preocupação.
 
A sugestão surtiu seu efeito: Um tapa de realidade lhe devolveu a razão. A realidade exigia uma resposta, não uma cara de surpresa:
 
- Ah, diga que vou terminar de me vestir e ele vai precisar esperar muito pouco. Também diga que será um prazer sentar a mesa dele. - encerrando com um largo sorriso.
 
As posições se invertiam: agora a mensageira estava boquiaberta, tentando balbuciar algo ininteligível. Mas tornou o sentido quando Sheena encarou-a, e disse em um tom ameaçador:
 
- O que tá esperando, mocinha?
 
Sheena acompanhou com os olhos a filha do dono do clube sair e sem demora voltou a fazer os curativos em seu rosto, um dia já foi tão delicado.
 
Depois dos curativos, Sheena cuidou de trançar de forma caprichada seus longos cabelos carmins, vestiu uma blusa de linho com mangas largas e decote regulado por cordões de algodão trançados, amarrou os cadarços da bota, passou os suspensórios por cima dos ombros, colocou suas coisas dentro do saco de viajem. E enquanto jogava a sacola sobre o ombro direito, viu seu reflexo no espelho e nele havia felicidade.
 
- Finalmente deixarei essa pocilga imunda e conseguirei desafios de verdade – falou para si mesma em bom tom, fechou os olhos e do seu rosto essa felicidade sumiu. Abriu os olhos e fitou a porta verde – Algo de bom tem de me esperar por trás daquela porta.
 
Esperou alguns segundos, e finalmente encaminhou - se para a porta com passos decididos. Girou a maçaneta, expondo a penumbra do corredor á luz do lampião, mas não se intimidou, mergulhando nessas trevas ralas que conhecia tão bem.
 
Com essa segurança, foi até o fim do corredor de acesso ao ringue. Empertigou-se, num olhar para além do ringue,  até alcançar o famoso Conde Pirata.
 
– Agora é a hora, não amoleça menina. Não amoleça. – caminhando, rumo a sua reunião.
Última modificação em Sex, 11 de Novembro de 2011 19:34
Chacal Negro

Chacal Negro

Ninguem importante. Só isso!

Fazer um comentário

Os campos com asterisco são de preenchimento obrigatório
É permitido o uso de código HTML básico. Ex: , <\b>

Siga-nos

  • Google+: 104302047101971855972
  • Twitter: CaririFan
  • Facebook: caririfan
  • Orkut: 3640587585198287874
  • FeedBurner: caririfan
  • External Link: www.caririfan.com.br/index.php/home?format=feed
  • Dihitt: 416936
Central Blogs

Podcasts

Banner